14 julho, 2010

Vuvuzelas, instrumentos dos anjos


Recebi esta imagem do grupo-lista Beatrice, com a bem-humorada legenda
"Enchendo o saco desde 1660".
O meu, elas podem encher à vontade. Barulho de alegria não me incomoda. As vuvuzelas deveriam ser adotadas aqui e banir de vez os ensurdecedores rojões e bombas (ah, os odiosos morteiros!). Esses, fazem barulho de guerra. E guerra é tudo que a gente não quer.

13 julho, 2010

Bruno ganha a Copa da burrice: monta time paralelo, joga no ataque e faz gol contra


Homão bonito - 1,91 m, altura de jogador de basquete -, sorriso aberto, covinha enfeitando, nada a ver com o tal perfil lombrosiano do assassino, que se ensinava nas escolas (ainda ensinam?).
Bruno Fernandes, 25 anos, ex-goleiro do Flamengo e promessa brasileira para 2014, desde o início da Copa sul-africana não sai dos noticiários, embora não tenha feito parte da seleção do Dunga.
Bruno deu um chute na sorte que estava a lhe sorrir nos últimos anos. Montou um time de "amigos" (quem tem amigos assim, não precisa de inimigos) para jogar contra Eliza Samudio, mãe de Bruno, de apenas 5 meses, que ela tentava na Justiça provar ser filho do craque e, lógico, conseguir pensão alimentícia.
Em vez de show de bola, o craque deu um show de horror.
Como explicar tanta barbárie? Rejeição dos pais? Incapacidade de lidar com o sucesso, más companhias, vida regada a sexo e drogas, na ilusória sensação de ser semideus?
Um pouco de tudo, acrescido da complacência de uma sociedade frouxa, que só se manifesta quando o indesejado já aconteceu. Aí, Inês é morta. No caso, Eliza.
As despesas judiciais vão custar muito mais ao jogador do que pensão alimentícia e parte na herança, direitos que ele tentava driblar. De quebra, já custaram sua imagem: o ídolo festejado virou monstro execrado.
O barato sai caro.

12 julho, 2010

E viva la España!

Do Mascaradona in natura estamos livres. A Alemanha nos salvou do atentado visual, encaçapando 4 bolas na rede dos hermanos.
A Copa de 2010 é da Fúria, a alegre seleção espanhola da foto. Suaram bastante mas pegaram o touro à unha. Um único gol de placa que evitou a decisão por pênaltis e deixou mais uma vez a Holanda no vice-campeonato.
Vitória bem-vinda, ganhou quem nunca teve esse gostinho. A Espanha foi a debutante que levou pra casa o troféu mundial. Olé!

P. S. - Além de vuvuzelas, podemos pensar em receber a Espanha aqui, em 2014, ao som de muitas castanholas. Que tal? Deixe seu palpite.

01 julho, 2010

Socoooorro! Maradona pelado outra vez?


Esta foto de Maradona foi alvo de um dos mais notáveis títulos de matéria do extinto Notícias Populares, jornal que fez história na capital paulista: "Bom de bola, ruim de taco".
A veracidade da "coisa" pode ser constatada na foto ao lado, em comparação com a de Pelé (será também por isso que o aloprado técnico argentino tem tanta inveja do Rei?).
Mais não digo, porque não é preciso. Se a Argentina faturar a Copa, ainda teremos que aguentar o strip tease do hoje gorducho Diego Maradona. Ninguém merece.

12 junho, 2010

Futebol é bola na rede

A foto é atual, mas a historinha longeva. Copa do Mundo de 1982, na Espanha.
Não trouxemos o caneco, foi o ano em que a Itália abateu nossos canarinhos com um só tiro Rossi. Mas o episódio que vou contar rendeu muita risada. Se a memória continua boa, foi no primeiro jogo do Brasil que a coisa se deu. Turma reunida no bem-decorado apartamento de um dos bolinhas da turma, avenida São Luís, centrão nobre de Sampa.
Copa sem bolão não é Copa. Quem tirasse o autor do primeiro gol, papava a grana. Papeizinhos distribuídos, a sorte não agradou ao ex-famoso modelo masculino, acompanhado da também modelo e namorada.
Fez um rosário de reclamações, havia tirado "o jogador mais perna-de-pau, o Dirceu".
"Não sei o que esse cara tá fazendo lá, não devia nem ter sido escalado", repetia.
Tam-tam-tam. Começa a partida, a bola rola e não demora a surgir o primeiro gol do Brasil.
Artilheiro? O perna-de-pau.
O "reclamão", erguendo os braços, deu um pulo que quase foi parar no teto. No meio da alegria geral, um brado mais alto que o de D. Pedro no Ipiranga se ouviu :
"Ê Dirceu, cracão de bola!

04 junho, 2010

Bela, a feia: ao final, linda

Não a assisti todinha, infelizmente. Na sua hora de exibição costumo dar umas treinadas gastronômicas. Mas minha irmã me punha a par dessa adaptação de Gisele Joras, novela Record de maior sucesso entre as crianças, dizem os experts. Apontam as cores vivas e alegres como o "pirulito" que as atraiu.
A elevada audiência - 25% - foi feita também de "velhinhos", só aqui somos duas. Envolveu geral. O "patinho feio" que vira cisne é tema antigo mas sempre sedutor. Remete à fada com seu condão, fazendo a felicidade geral e dando ao mal o lugar merecido.
Acertada mesmo foi a escolha do elenco. A mexicana-brasileira Gisele Itié deve levar prêmio como melhor atriz, do contrário é marmelada. Achou até uma risada horrorosa, bem própria ao estereótipo da feia e desengonçada Bela do primeiro tempo.
Os atores - muitos deles ex-globais - esbanjaram talento. Falo aqui apenas da fada e da bruxa, Simone Spoladore - um pouco caricaturesca na sua interpretação mas deve ter agradado à petizada. O mal já é tão feio em sua essência, dar-lhe contornos mais graves pesaria demais. Talvez por isso, a vilania e o cômico estiveram de mãos dadas. A leveza da malvada Verônica combinou com seu destino: virou uma Xuxa paraguaia, adorada por los pequenitos mas nos bastidores mostra desprezo e até nojo da galerinha (o que será que as apresentadoras mirins acharam disso?).
Se houve um final melhor em novelas, lembranças em minha cuca não ficaram. Elas se despedem deixando uma sensação de que deveria ter sido diferente, de que faltou alguma coisa ou o capítulo foi gravado às pressas. Bela, não. Os personagens deram as caras, não sairam à francesa. Em dança estilo Carlitos chapliniano, os principais atores encerram a história da feia que veio embelezar a telinha dos telespectadores que, como eu, não andam curtindo nadica as maçantes novelas "campeãs"- ultimamente com cheiro de mofo e gosto de ranço.

04 maio, 2010

Toda nudez será castigada? Não em São Paulo

A injustiça sempre me incomoda.
E uma tem cumprido esse papel mais do que qualquer outra: a demissão, pela governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), de recém-nomeada funcionária. Ao vir a público que se tratava de uma ex-stripper, a moça foi defenestreda.
Ô gente, não deu pra entender. Pouco antes, na capital paulista, a subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), acabava de posar nua para revista - e continuou em pleno exercício da função (vestida, porém). Função, convenhamos, assaz importante. A pujança de sua subprefeitura supera cidades do interior consideradas de grande porte.
Estranhamente, não vi nota recriminativa na imprensa. Bem ao contrário de quando Francine anunciou em entrevista que fumava maconha, década atrás . Alguma coisa me diz que, fosse a Soninha ainda do PT, os conservadores não estariam assim tão moderninhos.
A repercussão dessa nudez "oficial" teria derrubado a "descolada subprefeita" da nobre cadeira. Fosse a Marta no lugar do Kassab, não ia faltar quem dissesse que a falta de pudor teria sido influência dela, da "patroa" excessivamente liberal. Nem Lula ficaria fora dessa, afinal, qualquer espirro no andar de baixo petista, já dizem que veio da cobertura (a sorte dele é que nele nada cola, tem o "corpo fechado").
Já que a nudez extemporânea emudeceu e imobilizou geral, atrevo-me a dar umas palpitadas.
Não que a Francine tenha agredido com a exibição de seus 42 anos, acho que ainda é uma "brota". A Ioná Magalhães, aos cinquenta e tanto, mostrou tudinho e envergonhou a moçada (Mercedes é Mercedes, não importa a idade. Melhor uma Mercedes usada do que um zero km comum).
Eis o ponto. Ioná é artista, faz parte do mundo das diversões, do onírico. Nele não se exige austeridade, que até atrapalha. O mesmo decote generoso das participantes do Oscar, que confere glamour à festa, pode significar demissão na certa, se transportado para o trabalho comum (e público). O jornalista Alexandre Garcia que o diga, posou para revista em trajes maiores que Soninha (usando uma toalha, se me lembro), e lá se foi o cargo de assessor de imprensa do governo Figueiredo.
Com invulgar sabedoria, Chacrinha dizia que "a vida não é aquela cuja a gente vive a qual". Vida de celebridade é bem diferente da "normalidade".
Não se trata de moralismo ou de atraso. Apenas traduzo o pensar de que tudo tem lugar, hora e roupa adequada - principalmente quando se for dispensar o uso dela.
E também gostaria de encontrar uma resposta para as diferentes posições, a adotada pelo Pará e a não-adotada por São Paulo. Sem nenhuma crítica à atitude da governadora petista, que não titubeou em fazer uso da caneta para demitir a ex-stripper. Mas pra que tanta rigidez?
Se em São Paulo cargo público de chefia pode ser exercido por Cicciolinas, não vejo impedimento algum a que uma ex-stripper desenvolva atividade subalterna no funcionalismo paraense. O que vale lá, deve valer também cá.
Ou quem pertence às fileiras do PSDB serrista pode mais?