
Fábio Assunção foi meu colega no 1o ano de Jornalismo noturno na FIAM, em São Paulo.
Ele, calouro com idade certa, 18 anos. Eu, exatamente o dobro (a "tia" que resolveu voltar ao banco universitário). Entre nós, apenas três colegas com idades mais próximas da minha.
A sexta-feira era sagrada. Após as aulas, nossa turma se reunia num barzinho ou restaurante. Muita picanha, muita manguaça e só alegria!
Fábio sempre se distinguiu por sua loirice e azul da cor do mar nos belos olhos, boa educação e meiguice. Aluno interessado, nunca me esqueci de uma prova de filosofia em que nos sentamos lado a lado e ambos tiramos a nota máxima - sem colar. Fábio seguiu uma linha meio transcendental, e eu, sempre pé-no-chão.
O louraço, que já fazia as primeiras tentativas na área artística, causou frisson numa apresentação teatral em classe interpretando Adão e "vestindo" apenas uma folha de parreira.
Sabia que ele, assim como grande parte dos estudantes, apreciava um "baseado", mas creditei a uma tendência própria da juventude. Botava fé que, com a chegada da maturidade, Fabinho fosse deixar de lado essa erva proibida e cheiro desagradável.
Fábio não concluiu o ano, deixou a faculdade para fincar pé na profissão de ator. Rapidinho, estreava na Globo.
Deliramos! Nosso colega de família quase pobre, do redorzão de São Paulo, chegava meteoricamente à TV líder do País. Alçado pela garra e talento, sem precisar de Q.I. (quem indica). Claro que a "estampa" ajudou.
Quando engatou romance com Cristiana Oliveira, tratei de dar uma "cotovelada" na colega por quem Fabinho era apaixonado. A danadinha se amassava com ele num dia, no outro o esnobava para voltar aos braços de outro ficante, mais velho e bem de vida.
"Vai lá agora, vê se consegue tomá-lo da Cristiana", provoquei a moça de sobrancelhas estilo taturana, mais espessas que as da Malu Mader.
Seguiu-se uma carreira gloriosa, interrompida para tratamento de drogas.
Uma vez e agora outra. Cenas já rodadas, Fábio seria o galã da próxima novela das 9.
Não deu conta.
E me deixou triste. Pensei que Fábio Assunção fosse mais forte.