18 novembro, 2010

Lula e a foto que ninguém viu


Corina Edelvina Bento, ex-moradora de favela carioca e beneficiária do programa Minha casa, Minha vida, chora e balança as chaves, enquanto é beijada pelo presidente Lula.
Esta foto (feita por Felipe Dana, da AP, em 25 de outubro último) não foi publicada em nenhum dos grandes jornais brasileiros, embora tenha sido destaque no conservador Wall Street Journal, do país de Obama.
O Palpitando foi buscá-la no Cloaca News, que informa ter sido "expropriada" do Diário Gauche.


12 novembro, 2010

Por que palhaço e não humorista?

Se a eleição fosse hoje, Tiririca teria de acrescentar meu voto à sua estrondosa bagagem eleitoral. Ativista da causa animal - notadamente "cachorreira" - vibrei com a notícia de que o "palhaço" promete dar força à adoção dos bichinhos.
Melhor um analfabeto sensível que um letrado desalmado. Nem tão analfabeto assim, pois segundo a midia - muito a contragosto, imagino - Tiririca foi aprovado no teste do TRE.
O promotor do caso (paulista, claro!), empenhado em sua cassação, pede que o campeão de votos faça novo teste. Faria melhor o MPE se estendesse seu rigor "idiomático" a todos os candidatos.
Nesse Brasil de tantos tiriricas e São Paulo de tantos caipiras, será que só o Everardo merece ser investigado?
Ora bolas, conheci pessoas sem instrução formal que dão um baile de sabedoria nos intelectualoides pedantes. Entre elas, uma bem-sucedida empresária do setor de transportes turísticos. De inteligência notável e sinceridade idem, fazia questão de contar que era inteiramente analfabeta - e mostrava o dedo, pra deixar bem clara a assinatura digital.
Fazendo coro com o MPE, segue a imprensa. Por que taxar o deputado eleito de palhaço, se ele não trabalha em circo e nem o nariz característico exibe?
Tirica é um humorista - ou comediante - assim como Jô Soares, Chico Anísio, Heloísa Perissê, Ingrid Guimarães, Tom Cavalcanti e todos da categoria. Você viu algum deles ser chamado de palhaço pela mídia? Não, né? Nem eu.
Fosse da chapa de lá, Francisco Everardo Oliveira da Silva, o Tiririca, já teria virado "nobre deputado". Como optou pela candidatura popular, chamam-no de palhaço.
Tanta insistência em dar conotação pejorativa ao humorista nordestino indica que o circo está montado e hoje tem marmelada, tem sim senhor!
Mas a palhaçada, desta vez, não é o Tiririca quem faz.

05 novembro, 2010

Dilma Rousseff, a 40a. presidente do Brasil

A peleja foi dura, o jogo rasteiro - calúnias, difamações, adulterações e simulações abundaram nesta campanha.
Mas nem a "bolinha tontífera", puro papel e surpreendentes 2 k, impediu que uma Lulu arrebatasse o cartão de acesso à rampa do Planalto em 1o de janeiro de 2011.
Parabéns, presidente!
Ah, desculpe, Presidenta.
É assim que prefere, assim será chamada.

*Mãe de Dilma diz que filha sempre se preocupou com os pobres

A esperança de um Brasil menos desigual aumenta ao ouvir a professora Dilma Jane contar que a preocupação maior da filha foi sempre com os mais pobres. O vídeo da entrevista à TV Brasil está no youtube.
Não à toa, a Presidenta ratificou, em seu discurso de vitória, o compromisso de erradicação da miséria.
Não posso deixar de registrar a classe, sabedoria (mineira, uai) e jovialidade de Dilma mãe, 86 anos. Mas o visual é de 70.
Mulheres fortes, as Rousseff.
Do jeito que a gente gosta e da forma como o Brasil precisa.

Foto do Cloaca News, blog-show de irreverência

07 outubro, 2010

Não é Pilatos, mas parece


Não votei na Marina Silva e nem cogitei a hipótese. Não pela candidata, é que o verdinho paulista resulta da mistura do azul com amarelo. Que Marina é valorosa, é. Mulher pra chegar à cúpula política, neste Brasilzão machista, tem que ser "homem de saia".
De frágil, na senadora, só a aparência.
A mídia relata que ela é evangélica mas nem seria preciso, os longos cabelos amarrados em coque são um indicativo quase tão óbvio quanto a burca para as muçulmanas.
Daí que, durante a campanha em que não chegou à final mas teve um desempenho louvável, Marina Silva prometeu levar a plebiscito a descriminalização das drogas e o aborto.
Peraê: esse tal de plebiscito não foi a mesma saída encontrada por Pôncio Pilatos, quando lavou as mãos e entregou Cristo ao julgamento popular? O resultado a gente já sabe.
Quer dizer que Marina Silva não é contra o aborto, desde que a decisão seja da maioria.
Democrática, sem dúvida. Mas conflitante com os preceitos evangélicos.
Ou eu sou mesmo contra o aborto, ainda que o mundo todo tenha aderido a ele, ou sou a favor.
O raciocínio é simples: Marina, como evangélica, acha que aborto é crime contra a vida. Abortar é matar.
Mas como política, se a população decidir que o aborto é "moralmente sustentável", o mesmo crime passa a ser aceitável e legalizável?
Não dá pra entender porque só a favorita das urnas, Dilma Rousseff, tem sido tão perseguida por "deduzirem" que ela seria favorável ao aborto.
Dedução igual se pode fazer em relação à ambientalista.

Des-Educação paulista

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21 setembro, 2010

Faz de conta que eu não bebo

Em entrevista à CNT, José Serra (PSDB) mostrou toda sua vocação democrática e respeito profundo à liberdade de imprensa. Melindrado com certas perguntas da jornalista Márcia Peltier, botou a Dilma no meio da conversa (novidade!), mandando que dirigissem as mesmas perguntas a ela (ouviu que assim seria feito). Por fim, comunicou que não iria mais dar entrevista. Com a habitual elegância, Peltier fez ver ao presidenciável que não teria como explicar o cancelamento da entrevista, ao que Serra respondeu: "Faz de conta que não vim".
A jornalista chegou a desligar as luzes e continuou tentando domar o "touro" bravio. Missão cumprida e câmeras religadas, a equipe da CNT pode concluir o trabalho com o candidato que "dá trabalho".
Serra evita passar ao público a imagem de pessoa comum. Uísque ele não toma, nem do Paraguai nem qualquer outro, disse para Sabrina Sato, do Pânico. E escolheu depressinha o guaraná, ao ser indagado sobre sua bebida preferida.
Eu já tinha deduzido que álcool, pro Serra, nem em dia de Palmeiras campeão. Além de antitabagista furioso, abstêmio radical, pensei .
Mas um chopinho em Rio Preto, após a campanha, ele não rejeitou. Certamente pra não ser chamado (por trás, lógico, que ninguém é kamikase) de chato ou desmancha-roda.
Agora, cá pra nois: ele parece estar à vontade, não leva jeito de marinheiro de primeira viagem.
O interessante é que foi só a Dilma aparecer de pé engessado e explicar que sofreu uma torcedura ao fazer esteira, a grande imprensa já tascou que teria sido decorrência de um vinho tomado na companhia de amigos. Traduzindo: Dilma bebe a ponto de cair. Na linguagem da Hebe, Dilma é da "manguaça".
O intrigante é que já vi no Tijolaço, o saboroso site do deputado Brizola Neto, foto reproduzida de O Globo mostrando o Serra amparado por correligonários, ao subir uma escada rolante. E com o semblante daquele jeito que, no popular, é descrito como "cara de ressaca". Mas não consegui achar, nem nas entrelinhas da grande imprensa, uma só mensagem de que José Serra possa ter exagerado no chope.
Ah, que perda de tempo a minha, ficar tentando descobrir o porquê. Zé Serra "hipnotiza" os poderes que, por salário ou prestação de serviços, se "comunicam" com o governo paulista.
O homem-tucano não é mesmo, uma pessoa comum.
É alguém com extraordinários poderes.

14 setembro, 2010

Pela igualdade de tratamento midiático


A questão que levanto aqui não é o lado político, mas o antiprofissionalismo com que alguns setores da mídia vêm tratando a candidata Dilma Rousseff. Duas coisas me impeliram a abordar este assunto: primeiro, que sou mulher, e segundo, não suporto injustiça.
Mas o que vem a ser isso que eu assisti na Rede Globo e no SBT? Nomes consagrados como Willian Bonner e Carlos Nascimento caindo na misoginia e machismo explícitos, em programas que pretendem chamar de entrevista ? Interrogatório seria mais apropriado.
Não bastasse o tom inamistoso das perguntas, o global parecia querer avançar na petista. Mais um pouco e abocanha sua jugular.
Um Bonner exatamente inverso, verdadeiro fidalgo, foi o que se apresentou diante do candidato tucano, a ponto de a entrevista ficar conhecida como "me perdoe". Seu ex-colega e hoje empregado do homem do Baú, Carlos Nascimento, não deixou por menos. Abriu a sessão "pancadaria nas Lulus" com uma delicadeza de king kong, mencionando as transformações físicas na imagem de Dilma (que, diga-se de passagem, tiveram um resultado pra lá de ótimo. A ministra ficou muito mais bonita e radiante, sem qualquer sinal de plástica. Ainda vou descobrir a receita, ah, se vou!).
Como sempre fui chegada num duelo mental, poucas performances de políticos deixei de ver na telinha. Faço isso desde época em que a seara era mais fértil, podia-se varar a madrugada assistindo programas como o do Ferreira Neto e o Jogo de Cartas, do Mino. A política não ficava restrita aos telejornais, a mesclar notícias com convidados - e essa mistura não foi legal.
Pois do muito que assisti, só um apresentador foi inconveniente: o Ney Gonçalves Dias, querendo arrancar de Quércia a confissão de que pintava os cabelos (ele negava, óbvio, e Ney insistia). Até telespectadores da "mão contrária", críticos do quercismo, desaprovaram a grosseria. Maus modos ninguém aprecia.
Entrando na campanha do dia, também não tenho notícia de que algum "jornalista" tenha indagado a José Serra sobre a flagrante intervenção cirúrgica nas gengivas e "cositas mas" - não falo pra não incorrer em descortesias do mesmo tipo. E também porque, sejamos justos, a aparência ou gesto pouco asseado quase nada interfere no âmbito político.
Tanto bateram que conseguiram tirar da candidata pole position o rótulo de "Lula de chicote", a ministra-chefe da Casa Civil cuja exigência já fizera até ministro chorar (cá pra nós, conversa de inimigo. Homem nenhum é sensível a esse ponto).
Dilma Rousseff virou vítima, e não sem razão. Alvo de ataques virulentos diante das câmeras, ela suportou heroicamente, mostrando-se bem-educada, esbanjando civilidade. Firme, mas dentro da polidez. A história de vida de Dilma, além de ter sido mantida presa quase o dobro do tempo determinado, inclui períodos de tortura durante o regime de exceção - e ela nem chegou a participar de luta armada. Alguns ex-guerrilheiros homens, que assaltaram e sequestraram, nunca enfrentaram os rigores militares, porque conseguiram escafeder-se para o exílio numa "nice". Só retornaram ao País na condição de anistiados - livres, leves e soltos. Entretanto, não abrem mão do díscurso "vítimas da ditadura".
Dilma não. Essa mulher guerreira não faz uso de seu passado para angariar aprovação, recusa o papel de eterna coitada. E em lugar de reconhecerem sua grandeza, os midiáticos submetem-na mais uma vez à tortura. Desta feita, de ordem moral e em "praça pública".
Não gostei. E muita gente também não. Mulheres com dignidade, mais ainda.
Se eu já não tivesse dilmado - decisão tomada depois de garimpar à exaustão o currículo dos candidatos - minha adesão teria sido imediata, ao ver os "machos selvagens" do telejornalismo em cena.
Faz isso não, seu Bonner. O senhor também, seu Nascimento. Idem para os demais coleguinhas que andaram formulando as mesmas indelicadas perguntas à "Senhora D" (Senhora Democracia, segundo dona Lily Marinho em almoço exclusivo oferecido à petista ). Esses foram frustados na tentativa de nocautear a indicada de Lula, Dilma faltou ao "debate". (ficaram na vontade, bem feito!).
Respeitem as Lulus, ajam como respeitáveis Bolinhas. A gente não quer tratamento privilegiado, se prevalecer de que é considerada sexo frágil, nada disso.
Quer apenas que nossas representantes, candidatas a cargos políticos, sejam tratadas com a mesma urbanidade que dispensam aos cavalheiros.
É pedir muito?